
Julho das Pretas é promovido em escolas municipais de Cachoeira – Foto: Divulgação/Secretaria Municipal de Educação
A rede municipal de ensino de Cachoeira, no Recôncavo baiano, promoveu ao longo de todo o mês de julho uma programação especial em alusão ao Julho das Pretas, período que celebra a resistência e a luta das mulheres negras e do povo negro. As atividades abordaram temas como identidade, ancestralidade, histórias de vida e enfrentamento ao racismo.
Na Escola Municipal João Gonçalves, uma das iniciativas foi o projeto “Meu Cabelo, Minhas Origens”, que reuniu estudantes, profissionais da educação, familiares e a comunidade em apresentações culturais, rodas de conversa, contação de histórias de superação e uma exposição fotográfica.
A professora Viviane Conceição explicou que o projeto “Meu Cabelo, Minhas Origens” foi criado em 2019, na Escola Otávio Pereira, como parte de uma política de educação antirracista alinhada à Lei nº 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. Segundo a educadora, a iniciativa é desenvolvida ao longo de todo o ano letivo e tem contribuído para fortalecer a identidade e a autoestima dos estudantes negros.
“O projeto, há oito anos, tem fortalecido a identidade de estudantes negros e negras. Trabalhamos este projeto durante todo o ano letivo e já podemos perceber que os estudantes estão mais desinibidos. As meninas valorizam mais o seu cabelo, já soltam e se reconhecem como meninas potentes”, afirmou.
Para a prefeita de Cachoeira, Eliana Gonzaga, discutir o racismo desde a infância é essencial para a formação dos estudantes. “Precisamos falar sobre racismo ainda na infância. É na escola que a criança constrói sua identidade e quando a escola silencia sobre o racismo, ela acaba reproduzindo padrões que excluem”, disse.
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