Cotidiano escolar: Espaços e tempos de formação continuada

A formação de professores e professoras é uma temática de grande relevância e que sempre me inquietou, por isso mesmo, tenho me dedicado na construção de conhecimentos em âmbito acadêmico e profissional, amparada em uma perspectiva de formação que acontece no decurso da vida a partir do momento em que tomamos em nossas mãos o nosso próprio processo de formação em busca de autonomização.
Significa que a formação não se limita às aprendizagens escolares, profissionais e institucionais, mas a um aprendizado na totalidade, não como uma soma das partes, mas como uma busca do devir, pautado nos acontecimentos, descontinuidades e potencialidades do cotidiano.
Importa ressaltar que a formação acontece na presença de outras pessoas das quais nos aproximamos e nos distanciamos e nos ajudam na busca de novos conhecimentos nos âmbitos familiar, escolar ou profissional os quais se articulam e dão uma singularidade a cada história de vida e a cada identidade.
Neste sentido, precisamos pensar na formação de professores e professoras pautada na ideia de que é preciso ajudá-los a aprender a aprender, dando destaque à reflexão sobre seu próprio processo de formação e trocas de experiências vividas ao longo das nossas vidas. Assim, faz-se necessário pensar a formação continuada de professores e professoras compreendendo-os enquanto sujeitos da sua própria formação e que são capazes de refletir crítica e coletivamente sobre o seu contexto.
Defendo uma política de formação de professores e professoras que valorize também as redes de trabalho que acontecem no interior das escolas, pois a formação contínua não pode ser entendida como um processo à margem dos espaços e tempos do
cotidiano escolar, ao contrário, deve estar intimamente articulada a eles, ultrapassando os limites dos conteúdos que se precisa ensinar.
Autorizo-me dizer que o cotidiano escolar constitui-se em um importante espaço de descobertas e reflexões docentes, pois é também nesse complexo cotidiano que os professores constroem e reconstroem a sua prática, daí a reinvenção de outros tempos de formação plurais que atendam aos sujeitos, também plurais.

 

Valcineide Santos de Almeida

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