Escolas de Brumado celebram o Julho das Pretas com foco em história e representatividade

Escolas municipais promovem debates, oficinas e valorização da cultura afro-brasileira – Foto: Divulgação/Victória Amaral /Prefeitura de Brumado

 

A rede municipal de ensino de Brumado, no sudoeste da Bahia, promove ao longo deste mês uma programação especial em alusão ao Julho das Pretas, movimento que valoriza a trajetória das mulheres negras latino-americanas e caribenhas e incentiva o enfrentamento das desigualdades de gênero e raça por meio da educação. As atividades fazem parte do calendário pedagógico das escolas municipais e envolvem estudantes do Ensino Fundamental II.

 

 

Celebrado nacionalmente desde 2013, o Julho das Pretas amplia o debate sobre direitos, identidade, resistência e protagonismo das mulheres negras. Em Brumado, o projeto foi desenvolvido pela primeira vez em 2025, de forma piloto, e neste ano passou a contemplar todas as unidades da rede municipal que atendem alunos do 6º ao 9º ano.

 

 

Segundo a coordenadora do Ensino Fundamental II, Ana Lúcia Gama, a ampliação da iniciativa fortalece a valorização da cultura afro-brasileira e contribui para a formação cidadã dos estudantes.

 

 

“Em 2025 foi um trabalho mais intimista, desenvolvido dentro das salas de aula, geralmente conduzido pelos professores de História. Neste ano, conseguimos ampliar essa discussão para toda a rede, fortalecendo um trabalho que desperta reflexão, consciência e pertencimento”, destaca.

 

 

A coordenadora ressalta ainda que a representatividade é um dos pilares da proposta pedagógica desenvolvida nas escolas.

 

 

“Sou uma professora negra à frente de muitos estudantes negros e, sobretudo, pobres e historicamente excluídos da sociedade. Essa mobilização representa força, resistência, inspiração, luta e dá voz a tantas pessoas que precisam ser ouvidas”, afirma.

 

 

Além das atividades em sala de aula, os estudantes participaram de oficinas durante o turno integral para conhecer a história dos turbantes africanos e aprender técnicas de confecção da peça, reconhecida como um símbolo de identidade, ancestralidade e resistência.

 

 

Historicamente, o turbante possui diferentes significados nas culturas africanas, representando aspectos como identidade étnica, posição social e estado civil. Nas Américas, tornou-se também um importante símbolo da resistência contra a escravidão e o racismo, além de manter forte relação com religiões de matriz africana.

 

 

De acordo com Ana Lúcia Gama, as ações estão alinhadas à Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Básica.

 

 

“A culminância é apenas uma etapa de um trabalho permanente de sensibilização desenvolvido com nossos professores desde a Jornada Pedagógica. É um processo de formação cidadã que ultrapassa os muros da escola e contribui para a construção de uma sociedade mais consciente, respeitosa e comprometida com a igualdade”, ressalta.

 

 

Data reforça memória e reparação histórica

 

 

A programação também celebra o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho. A data foi instituída após o Primeiro Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, realizado em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, e busca fortalecer a luta contra o racismo, o machismo e outras formas de discriminação.

 

 

No Brasil, desde 2014, o dia também homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola que comandou o Quilombo do Quariterê, no século XVIII, tornando-se símbolo da resistência negra feminina.

 

 

Para a historiadora Débora Pinho, a celebração contribui para preservar a memória e reconhecer o protagonismo das mulheres negras na formação da sociedade brasileira.

 

 

“Essa data representa uma importante ação de reparação histórica e de luta contra o apagamento da cultura africana presente em nossa realidade, além de reforçar a importância e o papel das mulheres negras em nossa sociedade”, afirma.

Culminância terá apresentações culturais e desfile de turbantes

 

 

Nesta quarta-feira, 23, às 13h30, o Colégio Manoel Fernandes, no distrito de Ubiraçaba, recebe apresentações de poesia e dança, palestra da historiadora Débora Pinho sobre a história do Julho das Pretas, além de um desfile para escolha dos turbantes confeccionados pelos estudantes do 6º ao 9º ano, com premiação dos três primeiros colocados.

 

 

Já na sexta-feira, 25, data em que é celebrado o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a programação acontece, a partir das 8h, na Escola Municipal em Tempo Integral Professora Clarice Morais dos Santos, no bairro Campo de Aviação. O evento contará com apresentações artísticas, palestra sobre o significado da data, desfile dos turbantes e premiação dos estudantes das escolas municipais da sede de Brumado.

 

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